Direito
O Que é ESG e Por Que Importa?
3 minO que é ESG?
ESG é a sigla para Environmental, Social and Governance (Ambiental, Social e Governança). O conceito surgiu em 2004, em um relatório da Organização das Nações Unidas intitulado "Who Cares Wins", que defendia a integração de fatores ambientais, sociais e de governança nas decisões de investimento.
Essencialmente, ESG representa um conjunto de princípios que norteiam a gestão empresarial de forma mais ética, transparente e responsável, considerando o impacto da atividade econômica na sociedade e no meio ambiente.
Pilares do ESG
- Ambiental (Environmental): Envolve o compromisso com a sustentabilidade, incluindo a redução da pegada de carbono, uso racional de recursos naturais, gestão de resíduos e prevenção de danos ambientais.
- Social (Social): Diz respeito às relações da empresa com seus stakeholders, especialmente colaboradores, comunidades e fornecedores. Inclui temas como diversidade, direitos humanos, condições de trabalho e impacto social.
- Governança (Governance): Refere-se à forma como a empresa é administrada. Abrange transparência, ética, responsabilidade corporativa, combate à corrupção e estrutura de decisão da alta gestão.
ESG e o Direito: legislação aplicável
Embora o ESG não esteja previsto como um conjunto normativo específico, diversos dispositivos legais se conectam diretamente com os seus pilares:
- Ambiental: Leis como a Política Nacional do Meio Ambiente (Lei nº 6.938/81), o Novo Marco Legal do Saneamento (Lei nº 14.026/20) e normas da agenda climática internacional.
- Social: Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), legislação antidiscriminatória, convenções da OIT.
- Governança: Lei das S.A. (nº 6.404/76), Lei Anticorrupção (nº 12.846/13), Lei de Lavagem de Dinheiro (nº 9.613/98), LGPD (nº 13.709/18).
O advogado precisa estar atento às obrigações legais e também às boas práticas de mercado exigidas por investidores, órgãos reguladores e certificadoras.
O papel do advogado na implementação de ESG
O profissional jurídico exerce um papel estratégico na estruturação de programas de conformidade e na gestão de riscos socioambientais e de governança. Algumas das funções incluem:
- Elaboração de códigos de ética e conduta;
- Criação ou revisão de políticas internas (diversidade, antidiscriminatória, meio ambiente, governança);
- Due diligence para fusões e aquisições, considerando riscos ESG;
- Avaliação de contratos com fornecedores sob a ótica de direitos humanos e sustentabilidade;
- Orientação sobre a adequação à LGPD;
- Auxílio na criação de canais de ética e mecanismos de governança.
Vantagens do ESG para as empresas
A adoção de práticas ESG traz benefícios concretos, como:
- Atração de investidores e acesso a financiamentos sustentáveis;
- Melhoria da imagem institucional e reputação no mercado;
- Redução de riscos jurídicos, regulatórios e operacionais;
- Maior engajamento de colaboradores e retenção de talentos;
- Vantagem competitiva em licitações e contratos públicos.
ESG e responsabilidade jurídica
A negligência com as práticas ESG pode gerar responsabilidade civil, administrativa e até penal para empresas e seus gestores.
Questões como danos ambientais, assédio moral, discriminação, fraude corporativa e omissão de informações relevantes são cada vez mais monitoradas por órgãos reguladores, investidores e consumidores.
Conclusão
O ESG deixou de ser uma pauta exclusivamente reputacional para se tornar um critério objetivo na avaliação de riscos e oportunidades empresariais.
Nesse contexto, a atuação jurídica é indispensável para auxiliar as organizações a alcançarem conformidade legal, sustentabilidade e responsabilidade corporativa, inserindo-se em um modelo de negócios que prioriza o impacto positivo sobre a sociedade e o meio ambiente.
O conteúdo desta página refere-se à legislação vigente no momento da publicação.